Os séculos seguintes ao Renascimento assistiram a um processo cíclico de constante afastamento e reaproximação do ideário clássico. O barroco, em um primeiro momento, potencializa o descontentamento do maneirismo pelas normas clássicas e propicia a gênese de um tipo de arquitetura inédita, ainda que frequentemente possua ligações formais com o passado. Da mesma forma que o barroco representou uma reação ao Renascimento, o neoclassicismo, mais tarde, constituirá uma reação ao barroco e uma forte tendência ao passadismo e à recuperação do clássico. Este período de dois séculos, portanto, será marcado por um ciclo de dúvidas e certezas a respeito da validade das idéias clássicas.
Arquitetura barroca
A ostentação formal nos espaços do barroco e do rococó.
O barroco surge no cenário artístico europeu em dois contextos bastante claros durante o século XVII: primeiramente havia a sensação de que, com o avanço científico representado pelo Renascimento, o classicismo, ainda que tivesse alavancado este progresso, não mais tinha condições de oferecer todas as respostas necessárias às dúvidas do Homem. O Universo não era mais o mesmo, o mundo havia se expandido e o indivíduo sentia querer experimentar um novo tipo de contato com o divino e o metafísico. As formas luxuriantes do barroco, seu espaço elíptico, definitivamente antieuclidiano, foram uma resposta a estas necessidades.
O segundo contexto é o da Contra-Reforma promovida pela Igreja Católica. Com o avanço das igrejas protestantes, a antiga ordem romana cristã (que, em certo sentido, havia incentivado o advento do mundo renascentista) estava sendo suplantada por novas visões de mundo e novas atitudes perante o Sagrado. A Igreja sentiu a necessidade de renovar-se para não perder os fiéis, e viu na promoção de uma nova estética a chance de identificar-se neste novo mundo. As formas do barroco foram promovidas pela instituição em todo o mundo (especialmente nas colônias recém-descobertas), tornando-o o estilo católico, por excelência.

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